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10 de Dezembro de 2018

O que devemos fazer quando caímos em um golpe do WhatsApp?

Juliana Forin de Souza, Advogado
há 2 anos

Desde que a internet se popularizou entre usuários comuns, em meados dos anos 1990, as ameaças online sempre os cercaram: elas vão desde danificar seus dispositivos até mesmo desviar dinheiro de suas contas bancárias. O problema é que, quanto mais o mundo vai se tornando conectado, maior acaba sendo o risco que corremos na rede mundial de computadores.

O crescimento vertiginoso no número de downloads do WhatsApp – o famoso aplicativo de comunicação – chamou atenção dos criminosos, que passaram a ver na plataforma uma grande oportunidade de enganar pessoas, especialmente usuários menos experientes e mais distraídos, potenciais vítimas de todo tipo de golpe possível de ser feito através do aplicativo.

Malandragem correndo solta


No começo do mês de abril, dois golpes afetaram muitos usuários do WhatsApp: o primeiro se tratava de um phishing – que “pesca” informações pessoais, como nome completo, telefone, CPF e números de contas bancárias – e utilizava o nome da empresa O Boticário para ganhar a confiança das pessoas.

O segundo caso se aproveitava da proximidade do feriado da Páscoa e prometia ovos de chocolate de graça em nome da Kopenhagen. Os usuários que caíam no golpe respondiam a três perguntas relacionadas à marca – que continham, inclusive, comentários falsos para aumentar sua credibilidade – e eram redirecionados para sites maliciosos que podiam infectar o celular e deixá-lo vulnerável.

Como proceder?

Muito se fala por aí sobre a segurança dos dispositivos móveis, como smartphones e tablets, além de computadores desktop e notebooks. Pessoas utilizam programas antivírus e outros ainda mais complexos que combatem malwares e outras ameaças. Mas e se você já foi vítima do golpe? Como remediar a situação?

Fique craque na hora de desviar das malandragens feitas pelo aplicativo de comunicação

Para entender um pouco melhor sobre os golpes feitos por meio do WhatsApp, o TecMundo conversou com Ricardo Sordi Marchi, advogado do escritório Brasil Salomão e Matthes Advocacia sobre a quais procedimentos o usuário pode recorrer ao ser vítima de artimanhas desse tipo. Confira a seguir a entrevista e fique craque na hora de desviar das malandragens feitas pelo aplicativo de comunicação:


Quais são os tipos mais comuns de golpes no WhatsApp que levam as pessoas a buscar ajuda jurídica?

Ricardo Marchi: Normalmente, os golpes estão ligados à obtenção de dados e informações pessoais e financeiras arquivados em computadores e celulares. Quando as pessoas detectam prejuízos, elas buscam apoio de uma assessoria jurídica para apurar se é possível conseguir a reparação e também buscam orientações para denúncia às autoridades competentes.

Como é possível detectar um golpe feito pelo WhatsApp? Existe algum segredo que ajuda a perceber quando se trata de um link falso?

Ricardo Marchi: Primeiramente, antes de se clicar em um link, é importante que a pessoa apure se a promoção ou informação ali constantes possuem algum vínculo com empresa conhecida cujo site possa ser consultado (para conferir se esse tipo de informação é colhido por meio eletrônico). Desconfie de preços muito abaixo do mercado.

Quando a pessoa tem a assessoria de um departamento de T. I., é importante que ela o consulte para obter informações sobre os riscos existentes

Quando a pessoa tem a assessoria de um departamento de T. I. Dentro de uma empresa, por exemplo, é importante que ela o consulte para obter informações sobre os riscos existentes ao clicar em um link. Isso serve para o WhatsApp e também para eventuais emails recebidos com arquivos anexados e links para clicar.

Quais cuidados o usuário deve tomar para evitar cair nesses golpes?

Ricardo Marchi: Manter sistemas operacionais e aplicativos atualizados, não utilizando softwares piratas, por exemplo. Também um programa de antivírus atualizado pode ser usado para detectar e bloquear ameaças, assim como utilizar redes confiáveis, evitando WiFi públicos.

"Os estelionatários sempre estão buscando golpes mais apurados e inteligentes"

Ao efetuar compras, verifique a reputação do site (se existem reclamações etc.). Desconfie sempre de pesquisas e prêmios em dinheiro. Nunca forneça dados pessoais desnecessários. Sempre use a internet com o máximo de bom senso.

Se eu utilizar aplicativos antivírus no celular, posso ficar totalmente despreocupado com esses golpes?

Ricardo Marchi: Totalmente despreocupado nunca, a preocupação deve existir. Os estelionatários sempre estão buscando golpes mais apurados e inteligentes, então o melhor é que os usuários sempre sigam as regras básicas que já indicamos nas respostas anteriores.

Quais tipos de danos esses golpes podem causar para o usuário?

Ricardo Marchi: Os danos podem ser financeiros, quando há acesso a contas ou a dados de cartões, com a aquisição de bens e serviços indevidamente, ou também pessoais, quando há invasão de perfis em redes sociais, violação de informações em celulares, acesso a fotos, vídeos e até mesmo com destruição do conteúdo.

Não se pode deixar de notar que, quando há invasão de vírus em dados da rede da empresa em que o usuário trabalha, os danos podem até atingir a corporação, fato que vem sendo tratado com muito cuidado pelas empresas, com políticas severas de acesso à internet.

Caí em um golpe e acabei enviando dados pessoais. Como isso pode me prejudicar e o que eu posso fazer a respeito?

Ricardo Marchi: Se foram acessadas senhas ou dados pessoais, é importante cancelar cartões de crédito e débito para evitar compras indevidas. A instituição financeira também pode ser informada para cancelar e fazer novas senhas. Deve ser lavrado um B. O. Com o máximo de dados possível para que a autoridade policial também tente descobrir quem está por trás do crime.


Devo entrar em contato com a polícia ou alguma autoridade quando receber uma mensagem que se parece com um golpe?

Ricardo Marchi: Sim, pode ser feita uma comunicação para uma autoridade policial. Hoje, inclusive, é possível fazer Boletim de Ocorrência até pela internet, facilitando a informação e permitindo que sejam buscadas rápidas medidas para evitar que o crime virtual se propague.

FONTE (S)

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Essa questão dos golpes e crimes virtuais aplicados no Whatsapp e nas redes sociais virou uma epidemia nacional que já afeta milhões de cidadãos e que por isso deveria ser melhor investigado pelos órgãos nacionais de segurança e de combate aos crimes cibernéticos.

Atuo na área da tecnologia da informação e recentemente tive a curiosidade em experimentar como funcionam esses grupos públicos do Whatsapp. Tão logo, me deixou surpreso e perplexo ao descobrir que pessoas comuns criam esses grupos com a vaga expectativa de expandir seus círculos sociais de amizades ou até mesmo com fins lucrativos e de imediato, acabam frustradas e temerosas ao descobrir que, na verdade, acabaram por abrir apenas mais uma porta para criminosos virtuais atuarem livremente na prática de suas ações delituosas.

Para promover seus grupos e atrair cada vez mais participantes, os usuários se utilizam de aplicativos disponíveis na Google Play Store, os quais, possuem funcionalidade agregada ao próprio Whatsapp e que funcionam como uma espécie de plataforma onde os usuários hospedam os links de convites de participação nos seus grupos. Após passar pelo processo de moderação e aprovação, os grupos ficam disponíveis publicamente nos aplicativos e em alguns sites para que qualquer pessoa possa participar desses grupos.

Bastou o grupo ficar disponível para o ingresso e participação pública – de imediato começa uma chuva de compartilhamento de conteúdos impróprios, suspeitos e ilícitos, contendo imagens, vídeos, áudios, textos, links de acesso à sites e páginas específica da internet. O mais impressionante é que a maioria desses estelionatários e criminosos virtuais agem livremente como se estivessem promovendo marketing de produtos e serviços lícitos e comuns, sendo que inclusive fornecem seus telefones de contato e ainda fazem questão de expor suas imagens em seus perfis. Criam seus próprios grupos e se infiltram nos grupos de outras pessoas para promover seus marketings do crime.

São muitos os golpes, produtos e serviços ilícitos ofertados por esses criminosos. Mas o que mais divulgam e que chama a atenção trata-se de um tipo de serviço de venda de cartões de créditos clonados e de falsificação de dinheiro, de documentos e certificados; sendo que os falsários fazem a maior propaganda dos seus serviços, inclusive oferecendo garantias de que seus produtos são a prova de todos os métodos de testes anti fraldes e falsificações. Mas na verdade, na maioria dos casos, ao cair nesse tipo de golpe, a vítima não recebe sua encomenda e ainda fica sem o dinheiro pago antecipadamente.

Visto que o próprio Whatsapp nem esses aplicativos utilizados na criação e divulgação de grupos, não dispõem de ferramentas eficientes que permitam aos usuários, barrar e coibir esse tipo de prática – acabam acuados e até optando por excluir seus grupos.

Diante dessa realidade, a própria polícia e delegacias de combate a esse tipo de crime assumem que no nosso país é praticamente impossível combater esse tipo de pratica; pois se por um lado não dispunham de preparo e mecanismos apropriados e eficientes, por outro lado existe a burocracia legal e a impunidade gerada por nossas leis brandas demais e cheias de brechas. Também dependem da formalização das denúncias e queixas dos cidadãos lesados nesses golpes; entretanto, cientes da impunidade, muitas pessoas acabam optando por se conformar caladas e conviver com os seus prejuízos.

Por outro lado e por incrível que possa parecer, ao analisarmos essa realidade, ainda se observa uma espécie de comodismo das pessoas comuns e de bem, que acaba se transformando em conivência delas com essas práticas criminosas as que elas se permitem se expor, por mais que se busque alerta-las! Não é atoa que o golpe mais antigo do mundo 'o do bilhete premiado' ainda continua sendo o mais aplicado e bem sucedido fazendo muitas vítimas, especialmente os de origem oriental e de idade já avançada!

Tal como me ocorreu durante a minha experiência e investigação, é mais fácil sermos denunciados e banidos desses grupos por tentarmos alertar as pessoas quanto aos riscos que elas correm, do que conseguir convence-las da necessidade e importância de todos os cidadãos de bem se unirem contra essa criminalidade denunciando! Em resumo, movidas pela ambição, muitas pessoas ignoram os perigos e pedem para ser lesadas! Nunca aprendem que nessa vida nada cai de graça do céu e que o muito barato e vantajoso sempre acaba saindo mais caro!

Abaixo, citarei alguns dos golpes mais aplicados nos grupos do Whatsapp e nas redes sociais, incluindo algumas dicas sobre como os usuários podem evita-los.

- GOLPE DO EMPREGO EM MULTINACIONAIS: Especialmente empresas de grande porte e multinacionais não se utilizam do Whatsapp nem das redes sociais para anunciar vagas de emprego e, tão pouco, ‘NÃO COBRAM TAXAS DE INSCRIÇÃO EM PROCESSOS SELETIVOS PARA PREENCHIMENTO DE VAGAS!’ Quem está desempregado e a procura de um emprego – deve enviar seus currículos diretamente para as empresas de seu interesse, se cadastrar e consultar periodicamente as muitas vagas disponíveis nos sites das agências de emprego e do SINE.

- GOLPE DOS CONCURSOS PÚBLICOS: Todo concurso público em aberto tem suas inscrições e regras de participação publicadas sempre em editais do governo federal, estadual e municipal. Em alguns casos, há a divulgação de concursos públicos nas mídias (rádio e TV). Na internet também há muitos sites que fornecem listas de concursos públicos; mas em sua maioria, com o objetivo de vender apostilas e cursos preparatórios para as provas. Para pagar as taxas de inscrições exigidas em todos os concursos públicos, o interessado deve buscar por informações e orientações diretamente na instituição ou órgão público que está promovendo a abertura de vagas.

- GOLPE DO FGTS / APOSENTADORIA / SEGURO DESEMPREGO / OUTROS: Sempre que o governo libera qualquer tipo de benefício ao trabalhador ou aposentado, o comunicado é feito por meio de chamadas nos meios de comunicação (rádio e TV). O Governo também possui seus sites oficiais na internet, através dos quais, o cidadão e beneficiário pode esclarecer suas dúvidas e obter vários serviços diferenciados. Todo o benefício do governo fica disponibilizado nas agências da Caixa Econômica Federal. Para obter toda a documentação necessária para sacar os benefícios de que faz jus, o cidadão deve procurar diretamente o órgão ou instituição do governo que está concedendo tais benefícios. ‘DESCONFIE E DENUNCIE TODA E QUALQUER FORMA DE PROPAGANDA SUSPEITA, DUVIDOSA E ENGANOSA COMPARTILHADA EM GRUPOS DO WHATSAPP E NAS REDES SOCIAIS, ONDE ESTELIONATÁRIOS OFERECEM FACILIDADES, VANTAGENS E AGILIDADE NO RECEBIMENTO DE BENEFÍCIOS DO GOVERNO!’

- GOLPE DOS SERVIÇOS E PRODUTOS DE MARCAS: Normalmente são compartilhadas com imagens de produtos conhecidos e com links que direcionam o usuário interessado à sites e páginas e sites específicos da internet, os quais, em sua maioria, contém vírus programados para invadir, espionar e roubar dados pessoais e financeiros de usuários. Outra forma, é induzir a vítima a pagar adiantado pela compra de determinado produto que, na verdade, não existe, a vítima nunca recebe sua encomenda e ainda fica sem o dinheiro pago. De fato que hoje em dia, muitas empresas aderem as redes sociais para divulgar seus produtos e serviços. Mas especialmente para quem possui o hábito de realizar compras pela internet, o ideal é sempre ter muito cuidado e dar preferência pelas lojas virtuais oficiais dessas lojas; além de investigar as informações da empresa e os comentários de avaliação de consumidores que já compraram da suposta loja.

- GOLPE DA RECARGA GRÁTIS DE CRÉDITO DE CELULAR: Com métodos normalmente iguais ao do GOLPE DOS SERVIÇOS E PRODUTOS DE MARCAS, a finalidade do golpe é clonar o número de telefone da vítima para aplicar golpes financeiros em contatos e pessoas próximas da própria vítima.

- GOLPE DOS SITES ERÓTICOS, DE ENCONTROS E NAMOROS: Os métodos e finalidades também são idênticos aos do GOLPE DOS SERVIÇOS E PRODUTOS DE MARCAS.

Vale salientar que, além de estar exposto à todos esses e outros golpes, ao aderir a participação em grupos públicos do Whatapp, o usuário ainda está se permitindo expor seu número de celular para que esses criminosos se apropriem desse dado de contato para tentar aplicar outros golpes por meio de telefonemas; tais como, de cobrança de serviços de crédito, pedidos de doações para ongues e instituições filantrópicas, falsos sequestros, entre outros.

Segue dicas de alguns cuidados:

- Evite ingressar em grupos públicos do Whatsapp, especialmente quando se verifica que neles há muito compartilhamento de propagandas, de conteúdos impróprios, suspeitos e ou ilícitos.

- Nunca clicar em links sugeridos em postagens compartilhadas que sugiram propagandas e promoções atraentes de produtos e serviços conhecidos ou desconhecidos.

- Nunca fornecer detalhes de sua vida pessoal quando estiver mantendo contato com outros participantes no modo privado.

- Evitar atender telefonemas cujo número de que liga não aparece, seja desconhecido e, especialmente, sendo de outras cidades e Estados. Jamais fornecer dados pessoais, de documentos e de cartões por telefone.

- Definir nível de privacidade para quem pode visualizar suas mensagens, conteúdos compartilhados, selfs e fotos de perfil.

- DENUNCIAR E COMPARTILHAR ESTA MENSAGEM PARA ALERTAR O MÁXIMO POSSÍVEL DE PESSOAS! continuar lendo

Muito bom o artigo
Mas infelizmente não me ajudou continuar lendo